E esse papel pode ser cumprido, de forma mais acelerada, pelas cooperativas de crédito, que nos últimos anos, mesmo em meio à crise, têm crescido a taxas bem maiores que os bancos tradicionais. Com incentivo e apoio do Banco Central do Brasil as cooperativas foram estimuladas a saírem dos módicos 8% para 20% de participação no volume de crédito concedido pelo Sistema Financeiro Nacional.

A profissionalização da gestão e a verticalização do sistema, os mecanismos de fusão e incorporação, as regras regulatórias mais rígidas e um novo marco legal sendo implantado, saímos de 1.400 cooperativas de crédito, em 2009, para as 818 atuais, atendendo quase 15 milhões de associados, com atuação em todo o país, sendo que em 275 municípios prestam serviços exclusivos à sociedade.

Por ser um modelo de negócio que não tem como meta o lucro, mas o resultado financeiro equilibrado, saudável e partilhado, as cooperativas de crédito têm como fundamento a proximidade com os cidadãos, principalmente nas pequenas comunidades, onde os bancos não veem potencial econômico, oferecendo todos os produtos e serviços disponíveis, com a mesma qualidade e a custos menores.

Isso porque com a estrutura democrática na tomada de decisão, onde os associados “clientes” são também os “donos do negócio”, as cooperativas de crédito buscam aliar seus resultados empresariais com as expectativas sociais e o interesse pela comunidade, apoiando o crescimento de pessoas cidadãs e o desenvolvimento regional.

A inserção das pessoas no cooperativismo de crédito tem como propósito a cidadania financeira, com o equilíbrio esperado entre os deveres e direitos, possibilitando acesso a informações de como lidar com o dinheiro e controlar seus recursos com autonomia, por meios dos avanços na educação financeira e previdenciária, permitindo, assim, a qualquer indivíduo, a seu critério, aproveitar os diferenciais do cooperativismo para melhorar as condições de vida, trazendo mais dignidade para si e sua família,  diminuindo as desigualdades sociais e contribuindo para o reaquecimento da economia que esse Brasil tanto precisa.

Edson Machado Monteiro – economista, Diretor-Presidente da COOPERFORTE e ex-Vice-Presidente do Banco do Brasil

Publicado em: 02/12/2022